Estou a ver uma reportagem na TVI sobre as diferenças entre Lisboa e Porto. Fala-se de pronúncia, dos Santos Populares, da rivalidade. E chego à conclusão que Lisboa é a minha cidade, óbvio, mas permito-me gostar cada vez mais da cidade do Porto. E cada uma com o seu falar, a sua paisagem, as suas ruas de personalidade e segredos próprios. As suas gentes, boas e más, independentemente de serem de cá ou de lá.
A rivalidade, acho-a tão inútil.
São duas cidades de que nos devemos orgulhar, enquanto portugueses, trabalhando para corrigir defeitos e elogiar o mais possível os encantos.
Não falo de clubes, antes que comecem já com essa conversa.
Lisboa, a minha cidade, maravilhosa e única. E o Porto, com tanto de bom para um alfacinha descobrir e gostar. E motivos para quem é portuense, sentir orgulho.
Que cada uma saiba receber bem, e reconhecer o bom que há no outro.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo…
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…






